SOURE - Exposição 'Das Beiras a Timor: o Destino da Coragem'

Sourenses e mortaguenses, em 1931, são enviados pelo Estado Português para a longínqua ilha de Timor. Homens que puseram acima do seu bem-estar, de suas famílias e da sua própria vida, o valor mais alto: a Liberdade.
Seis cidadãos de Soure, no dia 1 de maio de 1931, tentam sabotar a linha férrea, entre os lugares de Simões e Lourenços (Soure), e cortam as linhas telefónicas e telegráficas entre Redinha e Pombal. Este grupo, constituído por Augusto Carecho, Lino Galvão, João Albuquerque ,Joaquim Lourenço Fernandes (Joaquim “Viana), José O’Neiil de Noronha e Raul Pinto Coelho Madeira (médico) são presos e, sem julgamento, são deportados. Pretendiam estes homens impedirem a passagem de um comboio militar para Lisboa, e seguirem para a Madeira, a fim de sufocar a revolta aí existente.
Por denúncia, todos foram presos, à exceção de Augusto Carecho, o qual se refugiou por longa temporada na igreja da Misericórdia de Soure, e enviados para o Aljube (prisão politica durante a vigência do Estado Novo) e para a Penitenciária de Lisboa. Todos presos em maio, são deportados, no barco “Gil Eanes”, em junho, para Timor.
O destino, juntou em Timor os mortaguenses, naturais da Marmeleira, António Lopes Araújo, tenente de artilharia e Serafim Lopes Pereira, médico. Ambos deportados para Timor, no barco “Pedro Gomes”, em 1931.
Esta exposição revela as facetas repressivas da Ditadura, onde o sofrimento e o castigo da deportação na “lonjura de Timor” levam-nos a vaguear pelas mentes dos prisioneiros, molestados pelo destempero e insalubridade daquela colónia da Oceânia. Porque, para lá de Timor, não havia nada mais longínquo!…
Exposição com curadoria de João Paulo Almeida e Sousa
Colaboração do Núcleo Museológico da Irmânia – Marmeleira (Mortágua)
No átrio do Edifício dos Paços do Concelho, até 13 de junho.

