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Freguesia de Soure
- Castelo de Soure
Castelo de Soure
Provavelmente erigido, no tempo do governador moçárabe Sesnando Davides, depois da reconquista definitiva de Coimbra, em 1064, o castelo de Soure integrava, no posto mais a sul, a linha defensiva desta cidade, juntamente com os castelos de Santa Olaia, Montemor-o-Velho, Penela, Miranda do corvo, Lousã e Germanelo.
Ao contrário da maioria dos castelos, construídos em locais elevados e de difícil acesso, o castelo de Soure tem a particularidade de ter sido construído numa planície, com os rios Anços e Arunca a servirem de fosso de proteção natural.
A partir de meados do século XI, Soure torna-se terra de fronteira – Finisterra, ora cristã, ora muçulmana, cenário de lutas constantes.
A 19 de março de 1128, D. Teresa fazia a doação do castelo de Soure, bem como das terras sob domínio muçulmano entre Coimbra e Leiria aos Cavaleiros Templários. Um ano volvido, essa ampla e importante doação é confirmada por seu filho D. Afonso Henriques, o futuro 1º rei de Portugal e da Europa. Soure tornava-se, assim, na primeira sede fixa dos Cavaleiros Templários, em território que viria a ser Portugal e provavelmente num dos primeiros castelos Templários da Península Ibérica. A partir de Soure, a Ordem e D. Afonso Henriques, organizam várias expedições militares, no sentido de conquistar território, para sul, aos mouros, reforçando assim a importância geo-estratégica de Soure, durante a Reconquista Cristã e na formação de Portugal.
Envolto numa longa e conturbada história, podem observar-se, no castelo de Soure, marcas das inovações arquitetónicas introduzidas em Portugal pela Ordem do Templo. Desses tempos, restam-nos uma torre a sul e outra a nordeste, a torre de menagem, com o seu alambor, que conferia a esta estrutura, maior estabilidade e resistência, dificultando as investidas do inimigo.
Já outras marcas só podem ser vistas com “olhos de ver” e encontradas por “quem muito procura”…
No castelo destacamos um ajimez (janela dupla com arco ultrapassado, dividida por um colunelo) de origem anterior à construção do castelo, o que evidencia a existência da ocupação humana e cristã neste espaço, antes e durante a ocupação muçulmana. Podemos observar o ajimez, reutilizado como lintel, na porta de acesso à torre sudoeste.
Com a conquista de Santarém e Lisboa, em 1147, a linha de fronteira passa do Mondego para o Tejo e Soure vai perdendo a sua importância estratégico-militar.
Com a extinção da Ordem do Templo, todo o património dos Templários, passa para a Ordem de Cristo e a fortaleza de Soure vai-se adaptando a residência senhorial, sofrendo profundas remodelações, patrocinadas por D. Manuel I e a Ordem de Cristo, sobretudo na torre sul, nos séculos XV e XVI.
“Dentro na dicta villa e junto da egreja de Nossa Senhora tem a hordem huum castello e apousentamento de casas nesta maneira. Logo huum recebimento a que entram por huum portal grande com suas portas honde estaa huma escada com seu mainel todo de pedraria bem obrado por que sobem a huuma salla que tem huum bom portal de pedraria e huuma janella dassento contra o levante e uma grande chaminee ao norte e junto dela outra janella e contra o poente tem huuma cosinha terrea. Na dicta salla tem huma escaada de madeira com seu mainel por que sobem para estas camaras a saber duas oliveladas e huuma encaniçada de dous sobrados com suas logeas por baixo e outra camara encaniçada que estava sobre o portal principal da egreja de Nossa Senhora. Defronte da dicta salla e cameras estava huuma torre de menagem derribada de huma banda atee o meyo honde he entulhada. E junto della huumas paredes doutra torre tambem entulhada. Tem huma das sobradadas cameras olivelladas, estas duas janellas dassentos huuma a saber ao sul e outra ao ponente e huuma chaminee ao norte e outra camera tem outra chaminee asi contra o norte. Todas estas casas de fundo acima estam muyto bem repayradas de todo quanto lhes faz mister e todo quasi novo feito aa custa del Rey Nosso Senhor e som as ditas cameras armadas arredor.”
[A.N.T.T. Ð Ordem de Cristo, Tombo de Soure, fl. 1v., in: Pedro Dias (1982), A arquitectura de Coimbra na transição do gótico para a renascença. 1490 Ð 1540, Coimbra, Epartur, p. 239]
Classificado como Monumento Nacional desde 1949, o Castelo de Soure é um dos principais ex-libris e cartão-de-visita do Concelho.
Castelo de Soure, território de lendas e mistérios próprios das zonas de fronteira, dominado pela aura mística dos Cavaleiros do Templo de Salomão!
Sinta-se tentado!
Largo do Castelo
3130-214 Soure
GPS: 40.056765, -8.626079
Seg-sex: 09H-17H
Sábados e domingos: 10H-18H
